Dor após a mastectomia: o que é, por que acontece e como tratar

roazuma • 10 de junho de 2026

Compartilhar conteúdo

Até metade das mulheres submetidas à mastectomia desenvolve dor crônica após a cirurgia.


Muitas mulheres terminam o tratamento do câncer de mama e continuam com dor. Entenda por que isso acontece e o que pode ser feito.

Terminar o tratamento do câncer de mama deveria ser motivo de alívio. E é. Mas para muitas mulheres, um problema persiste mesmo depois que a cirurgia fica para trás: a dor.

Uma dor que não passa com o tempo. Que aparece no peito, na axila, no braço. Que incomoda ao vestir uma blusa, ao abraçar alguém, ao tentar dormir. Que médico nenhum havia avisado que poderia durar meses — ou anos. Esse quadro tem nome: síndrome da dor pós-mastectomia. E é mais comum do que se imagina.

O que é a síndrome da dor pós-mastectomia?

A síndrome da dor pós-mastectomia (SDPM) é uma dor crônica que persiste por mais de três meses após a cirurgia de mama — seja mastectomia total, parcial, com ou sem reconstrução. Ela afeta entre 20% e 50% das mulheres submetidas ao procedimento, o que a torna uma das complicações tardias mais frequentes do tratamento do câncer de mama.

A dor costuma se localizar na região da cicatriz, no peito, na axila ou na face interna do braço — território inervado por nervos que passam exatamente por onde a cirurgia é realizada.

Por que essa dor acontece?

Durante a mastectomia e a dissecção axilar, pequenos nervos da parede torácica e da axila podem ser lesionados ou comprimidos. O sistema nervoso, ao tentar se reorganizar, desenvolve sensibilização: os nervos ficam hipersensíveis e passam a sinalizar dor mesmo sem um estímulo que a justifique.

É uma dor de origem neuropática — diferente da dor muscular comum, ela queima, formiga, dá choques, causa dormência ou hipersensibilidade ao toque. Alguns fatores aumentam o risco, como a dissecção de muitos linfonodos, a radioterapia na região e dor intensa no pós-operatório imediato.

Como essa dor se manifesta?

As queixas mais comuns incluem queimação ou formigamento no peito e na axila, sensação de aperto na cicatriz, dormência ou hipersensibilidade na face interna do braço, dor ao elevar o braço ou ao se deitar sobre o lado operado. Algumas mulheres relatam também uma sensação de “fantasma mamário” — dor ou desconforto onde a mama costumava estar.

A intensidade varia. Para algumas, é uma dor leve mas constante. Para outras, compromete o sono, o trabalho e a vida afetiva.

Essa dor tem tratamento?

Sim — e quanto mais cedo identificada, melhores os resultados. O tratamento é individualizado e pode incluir:

    •    Medicamentos: antidepressivos (duloxetina, amitriptilina) e anticonvulsivantes (gabapentina, pregabalina) são a base do tratamento farmacológico da dor neuropática.
    •    Bloqueios nervosos: procedimentos minimamente invasivos guiados por ultrassom que interrompem a transmissão dos sinais de dor — como o bloqueio do nervo intercostobraquial e o bloqueio do plano do serrátil.
    •    Fisioterapia: fundamental para recuperar mobilidade, tratar aderências cicatriciais e dessensibilizar a área afetada.
    •    Acompanhamento psicológico: a dor crônica afeta o humor e o sono. O suporte psicológico não é acessório — é parte do tratamento.

Quando procurar um especialista em dor?

Se você passou por uma cirurgia de mama e ainda sente dor após três meses — mesmo que os médicos digam que a cirurgia foi bem-sucedida —, vale buscar avaliação com um especialista em tratamento da dor.

Essa dor não é frescura. Não é inevitável. É uma condição com base neurológica bem descrita, com tratamento disponível e com impacto real na qualidade de vida de quem passou por uma das experiências mais difíceis que uma mulher pode enfrentar. Você merece ser ouvida — e merece tratamento.


Agende sua avaliação.

Posts recentes

Médico aplicando toxina botulínica com agulha fina na região cervical de paciente
Por roazuma 8 de julho de 2026
Toxina Botulínica no Tratamento da Dor: Muito Além da Estética
Mulher com expressão de dor no rosto, ilustrando  os sintomas do trigemeo.
Por roazuma 29 de junho de 2026
Neuralgia do trigêmeo causa choques de dor intensa na face. Entenda as causas, os gatilhos e as opções de tratamento.
Médico realizando infiltração intraarticular guiada por ultrassom no joelho de paciente em consulta.
Por roazuma 21 de junho de 2026
Saiba como as terapias intraarticulares, como corticóide, ácido hialurônico e prp aliviam a dor no joelho, quadril e ombro sem cirurgia. Avalie com especialista.
Mulher com dor pélvica crônica com as mãos sobre o abdômen inferior.
Por roazuma 31 de maio de 2026
Dor pélvica crônica afeta milhões de mulheres e leva anos sem diagnóstico. Entenda as causas, quando investigar e quais tratamentos, incluindo bloqueios intervencionistas, podem ajudar.
Mulher com dor lombar segurando a região das costas com destaque neurológio na coluna lombar.
Por roazuma 31 de maio de 2026
Dor lombar não é sempre hérnia de disco. Entenda as causas mais comuns, os sinais de alerta e quando o tratamento intervencionista faz diferença.
Mulher com enxaqueca segurando a cabeça com destaque neurológico na têmpora.
Por roazuma 27 de maio de 2026
Enxaqueca crônica vai além da crise. Entenda por que o tratamento preventivo é essencial e quais opções existem para reduzir a dor e recuperar qualidade de vida.