Dor após a mastectomia: o que é, por que acontece e como tratar
Até metade das mulheres submetidas à mastectomia desenvolve dor crônica após a cirurgia.
Muitas mulheres terminam o tratamento do câncer de mama e continuam com dor. Entenda por que isso acontece e o que pode ser feito.
Terminar o tratamento do câncer de mama deveria ser motivo de alívio. E é. Mas para muitas mulheres, um problema persiste mesmo depois que a cirurgia fica para trás: a dor.
Uma dor que não passa com o tempo. Que aparece no peito, na axila, no braço. Que incomoda ao vestir uma blusa, ao abraçar alguém, ao tentar dormir. Que médico nenhum havia avisado que poderia durar meses — ou anos. Esse quadro tem nome: síndrome da dor pós-mastectomia. E é mais comum do que se imagina.
O que é a síndrome da dor pós-mastectomia?
A síndrome da dor pós-mastectomia (SDPM) é uma dor crônica que persiste por mais de três meses após a cirurgia de mama — seja mastectomia total, parcial, com ou sem reconstrução. Ela afeta entre 20% e 50% das mulheres submetidas ao procedimento, o que a torna uma das complicações tardias mais frequentes do tratamento do câncer de mama.
A dor costuma se localizar na região da cicatriz, no peito, na axila ou na face interna do braço — território inervado por nervos que passam exatamente por onde a cirurgia é realizada.
Por que essa dor acontece?
Durante a mastectomia e a dissecção axilar, pequenos nervos da parede torácica e da axila podem ser lesionados ou comprimidos. O sistema nervoso, ao tentar se reorganizar, desenvolve sensibilização: os nervos ficam hipersensíveis e passam a sinalizar dor mesmo sem um estímulo que a justifique.
É uma dor de origem neuropática — diferente da dor muscular comum, ela queima, formiga, dá choques, causa dormência ou hipersensibilidade ao toque. Alguns fatores aumentam o risco, como a dissecção de muitos linfonodos, a radioterapia na região e dor intensa no pós-operatório imediato.
Como essa dor se manifesta?
As queixas mais comuns incluem queimação ou formigamento no peito e na axila, sensação de aperto na cicatriz, dormência ou hipersensibilidade na face interna do braço, dor ao elevar o braço ou ao se deitar sobre o lado operado. Algumas mulheres relatam também uma sensação de “fantasma mamário” — dor ou desconforto onde a mama costumava estar.
A intensidade varia. Para algumas, é uma dor leve mas constante. Para outras, compromete o sono, o trabalho e a vida afetiva.
Essa dor tem tratamento?
Sim — e quanto mais cedo identificada, melhores os resultados. O tratamento é individualizado e pode incluir:
• Medicamentos: antidepressivos (duloxetina, amitriptilina) e anticonvulsivantes (gabapentina, pregabalina) são a base do tratamento farmacológico da dor neuropática.
• Bloqueios nervosos: procedimentos minimamente invasivos guiados por ultrassom que interrompem a transmissão dos sinais de dor — como o bloqueio do nervo intercostobraquial e o bloqueio do plano do serrátil.
• Fisioterapia: fundamental para recuperar mobilidade, tratar aderências cicatriciais e dessensibilizar a área afetada.
• Acompanhamento psicológico: a dor crônica afeta o humor e o sono. O suporte psicológico não é acessório — é parte do tratamento.
Quando procurar um especialista em dor?
Se você passou por uma cirurgia de mama e ainda sente dor após três meses — mesmo que os médicos digam que a cirurgia foi bem-sucedida —, vale buscar avaliação com um especialista em tratamento da dor.
Essa dor não é frescura. Não é inevitável. É uma condição com base neurológica bem descrita, com tratamento disponível e com impacto real na qualidade de vida de quem passou por uma das experiências mais difíceis que uma mulher pode enfrentar. Você merece ser ouvida — e merece tratamento.
Agende sua avaliação.








