Por que a Esclerose Múltiplas Causa Dor?
Por que a Esclerose Múltipla Causa Dor? Entenda os Mecanismos
Quando pensamos em esclerose múltipla (EM), geralmente vêm à mente sintomas como fraqueza, formigamento ou dificuldade para caminhar. Mas há um sintoma que afeta a maioria das pessoas com EM e que muitas vezes é subestimado: a dor. Estudos mostram que mais da metade dos pacientes com EM sentem algum tipo de dor ao longo da doença — e entender de onde ela vem é o primeiro passo para tratá-la melhor.
Neste post, vamos explicar de forma simples os principais mecanismos por trás da dor na EM.
O que é a Esclerose Múltipla, rapidamente
A EM é uma doença autoimune que afeta o sistema nervoso central (SNC) — ou seja, o cérebro e a medula espinhal. O sistema imunológico ataca por engano a bainha de mielina, uma espécie de "capa protetora" que envolve os nervos e ajuda os sinais elétricos a viajarem rápido e de forma organizada. Quando essa capa é danificada, a comunicação entre o cérebro e o resto do corpo fica prejudicada — e isso pode gerar, entre outras coisas, dor.
Os dois grandes grupos de dor na EM
De forma simplificada, a dor na EM pode ser dividida em dois grupos principais:
1. Dor neuropática (dor "de origem nervosa")
Esse tipo de dor surge diretamente das lesões causadas pela EM no cérebro ou na medula espinhal. O sistema nervoso, danificado, passa a enviar sinais de dor mesmo sem haver uma lesão física no local onde a dor é sentida. É como se o "fio" estivesse com um curto-circuito, gerando sinais errados.
Exemplos comuns:
- Neuralgia do trigêmeo: dor intensa, em choque, no rosto, causada por uma lesão no nervo trigêmeo dentro do tronco encefálico.
- Sinal de Lhermitte: uma sensação de choque elétrico que desce pela coluna e membros ao flexionar o pescoço, ligada a lesões na medula cervical.
- Disestesias: sensações de queimação, formigamento ou aperto, geralmente nas pernas e pés, que podem ser constantes e incômodas.
- Espasmos tônicos dolorosos: contrações musculares súbitas e dolorosas, de curta duração.
2. Dor musculoesquelética (dor "secundária")
Esse tipo de dor não vem diretamente das lesões neurológicas, mas sim das consequências delas no corpo. Quando a EM causa fraqueza, espasticidade (rigidez muscular) ou alterações na marcha, o corpo compensa de formas que sobrecarregam músculos, articulações e a coluna.
Exemplos comuns:
- Dor lombar por má postura ou uso de cadeira de rodas/andador
- Dor nos ombros por uso excessivo ao compensar a fraqueza nas pernas
- Dor por espasticidade — músculos que ficam constantemente contraídos e tensos
Por que isso importa?
Entender qual mecanismo está por trás da dor é essencial, porque o tratamento é diferente para cada tipo. Dor neuropática, por exemplo, geralmente responde melhor a medicações que agem no sistema nervoso, enquanto a dor musculoesquelética costuma se beneficiar de fisioterapia, reabilitação e ajustes posturais, além de manejo da espasticidade.
Além disso, a dor crônica não tratada tem impacto direto na qualidade de vida, no sono e até na evolução da própria EM, criando um ciclo que vale a pena interromper o quanto antes.
O que fazer se você sente dor e tem EM
Se você convive com EM e sente algum tipo de dor persistente, é importante conversar com seu neurologista e, se necessário, buscar acompanhamento especializado em manejo da dor. Uma avaliação detalhada ajuda a identificar a origem exata da dor e a montar um plano de tratamento personalizado — que pode incluir desde medicações específicas até terapias físicas e técnicas de bloqueio de nervos, dependendo do caso.
Dr. Rodrigo Azuma - CRM-SP 140.087
Bela Vista, SP












